quarta-feira, 17 de junho de 2009

Batman e Robin




Lú chega no trabalho e é recebida por Batman e Robin. Mas, não se engane, a dupla dinâmica não é aquela que todos conhecemos e sim dois gatinhos, magros e desnutridos, mas mesmo assim, alegres, espertos e brincalhões.
A empresa em que Lú trabalha é um clube e, dessa forma, muito espaçosa. Lugar ideal para que os felinos se abriguem. Só que a população dos gatos se multiplicou rapidamente em um curto espaço de tempo e a empresa, motivada pelas constantes reclamações de seus associados, proíbe que os funcionários alimentem os bichinhos.
Mas o coraçãozinho da Lú é enorme e a sua compaixão pelos animais abandonados é infinitamente maior.
Resolve ela adotar os dois pequeninos e todo dia leva na sua bolsa um punhado de ração para, escondidinho, alimentá-los.
E assim... passam-se alguns dias.
Até que, já estando os gatinhos mais gordinhos, Lú é surpreendida pelo diretor da empresa.
— Luciana, você não sabe que é probido alimentar esses bichos?
Lú, sem demonstrar surpresa, responde:
— Eu vou alimentar esses filhotes até que eles consigam arrumar comida por conta própria.
— E o que vai fazer quando aparecerem outros filhotes?
— pergunta, incisivo, o diretor.
— Acho que só vocês podem fazer alguma coisa para que não apareçam mais —
manda Lú.
— Qual a sua sugestão?
— Antes dos gatos aparecerem, o clube era infestado por ratos. Acho que a permanência deles mantém o clube livre dos roedores. Concordo que a superpopulação atrapalha e gera reclamações e só com a castração esse problema é resolvido. A Suipa faz esse serviço gratuitamente.
— Você não acha que é muito mais simples jogá-los no mar...
— fala ironicamente o diretor.
— E o senhor sabe que existe uma lei de amparo aos animais e qualquer forma de crueldade pode punir o causador com prisão e multa?
Citar leis em discussões com dirigentes de empresa é complicado porque eles sempre se acham acima delas. Visivelmente contrariado e com a voz alterada, o diretor fala, já saindo, em tom de descaso:
— Mas se nesse país nem leis de amparo aos seres humanos são cumpridas, imagina se farão cumprir uma que ampara gatos vira-latas... Ora, tenha paciência...
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Mesmo sem ter a mínima razão, ele tinha razão. Ela mesma tinha ligado para alguns órgãos de proteção aos animais para se informar e não teve boa recepção. Diziam que estavam lotados de animais abandonados, não tinham viaturas, enfim, não demonstraram o mínimo interesse em cumprir a lei.
Lú não conseguia imaginar como alguém poderia ser tão cruel com seres tão dóceis, que, naquele momento, com suas barriguinhas momentaneamente cheias, brincavam ao sol.
O diretor segue em direção da sala do presidente. Com certeza iria relatar o ocorrido e Lú seria repreendida.
Mas Lú não se importava em ser chamada a atenção.
O que ela queria mesmo, de verdade, era que essa história tivesse um final feliz...
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junho, 2009
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