quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Era uma vez...



Não fiques assustada e não adiantas me procurar que não vais conseguir me enxergar. Sou assim meio abstrato, sabe? Não sabe? Bem, não sei se vou conseguir explicar-te porque nem eu mesmo sei como é isso. Sou mais ou menos, assim, assim, uma voz... Uma voz que te fala ao vivo... Sou mais ou menos, assim, assim, duas mãos... Mãos que te escrevem palavras sem entonação, com alguma enrolação, mas, acredite, que vêm do coração. Sei que estás surpresa, e que te causa uma certa estranheza, mas sei que me conheces... e muito. Muito menos que imaginas e muito mais que deverias. Na verdade somos muito mais que velhos amigos, muito, muito mais que uma grande paixão... Sei que és muito melhor em intróitos do que eu, mas eu estou tentando escrever um intróito, do intróito de uma história que não vai ser lida nos livros mas bem que poderia começar com “Era uma vez”, ou “Outra vez”, ou “Certa vez”, ou “Uma vez”, ou “Mais outra vez”, ou “Mais vezes e vezes” ou até com um “Foi assim...”
Vou começar com um...
Era uma vez...

Era uma vez um menino, desses meninos espertos, mal-entendidos pelos meninos da sua idade, que observava estrelas e cultivava girassóis em seu mundo fechado pra visitação.
E uma menina que encantava o mundo com sua criAção, escrevia na Lua pela noite a dentro e de manhã contava histórias que tinha sonhado acordada pela madrugada...
Um dia (é claro que tem que ter “um dia”, “aquele dia” especial e marcante), eles se encontraram pelas páginas da vida e logo perceberam que deveriam compartilhar muito mais que poucas palavras.
Então o menino ensinou a menina a cultivar girassóis e a observar estrelas...
Esperta, a menina logo, logo aprendeu que não devia fazer a dança da chuva para os girassóis e os seus olhos brilharam de satisfação quando o feixe incandescente de uma estrela cadente iluminou a noite primaveril.
E a menina, mostrou todo o encanto da sua criAção por meio da linguagem que fala ao coração e pelas madrugadas gravaram na Lua as palavras mais doces que tinham na imaginAção.
O menino tentou ensinar pra menina o sentido do “vai passar” mas a menina falou “eu sou menina e isso nunca vou aceitar...”
A menina tentou ensinar pro menino que lá as nuvenzinhas deveriam permanecer, mas isso o menino insistiu em não aprender...
Hoje vivem os dois perdidos no mundo, achados no coração de cada um e quem ousaria duvidar que foram felizes para sempre?

Para quem achar que é uma história um pouco curta eu sugiro a leitura nas entrelinhas... Quem souber ler nas entrelinhas conseguirá ler tudo o que não foi escrito. Entenderá que uma história que acaba, não se acaba com uma interrogação. Quem souber ler nas entrelinhas vai sentir cada beijo trocado, cada carícia, cada olhar, cada cumplicidade e vai ficar sabendo tudo, tudo, sobre essa história infinita que é bem maior que caberia em páginas e páginas soltas ou unidas escritas da vida vivida.
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Para uma pessoa especial com um beijo...
Feliz aniversário!
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