
Setembro, ano 2001.
Os jornais estampavam o beicinho do Bush e as imagens do trágico atentado às Torres Gêmeas, recém ocorrido.
Fui ao mercado logo cedo comprar uns refrigerantes e mais umas coisinhas para a festa de aniversário da minha filha. Ainda não sabia, mas, um acontecimento inusitado ia sendo traçado nas malhas do destino. Na fila do caixa, depois de um tempo olhando pro nada, acabei notando uma pessoa, uma mulher, que estava logo na minha frente. Aparentava certo desconforto, dificuldades para respirar. Olhei-a mais detalhadamente e vi que era uma bonita mulher, boa altura, cabelos pretos e a pele branquinha. Vestia calça jeans, blusa vermelha, sandália baixa e tinha uma aliança no dedo da mão esquerda.
Perguntei se ela precisava de alguma coisa, um copo d’água, ou que chamasse alguém. Ela balançou a cabeça, respirou fundo, olhou pra frente. Eu tentei me distrair. Não consegui.
Observei-a passando as compras, pagando e se afastando. Era a minha vez, finalmente!
No caminho para o estacionamento lá estava ela! Apoiava-se numa pilastra e parecia meio alienada. Segurei em seu braço. Ela se apoiou em mim. Sua pele tinha um tom quase transparente.Vendo o desamparo da moça, me ofereci para deixá-la em casa. Ela concordou, falou onde morava e lá fui eu fazer a minha boa ação do dia. Não custava nada ajudá-la, mesmo que não fosse uma bela mulher, eu ajudaria. Acredite!
Partimos, eu a moça e as nossas compras.Trânsito ruim, buzinas e o mal-estar da minha acompanhante preocupava. Pensei no pior: “e se ela morresse no meu carro?” Às vezes não se encontra boa explicação nem mesmo para uma boa ação. Parei, ajustei o banco para deixar a cabeça da moça mais baixa. Não sei se ajudou, mas ela recobrou os sentidos. Perguntei qual era o seu nome e o número do seu telefone para o caso de ter que deixá-la em um hospital, já que os desmaios se sucediam com mais intensidade.
Ao ouvir a palavra “hospital” ela pareceu se apavorar. Segurou no meu braço com a força que lhe restava e me fez jurar que não a levaria para hospital nenhum. Que situação! Tentando escapar do trânsito que não fluía, acabei entrando numa rua que não conhecia bem. Rodei por uns instantes meio sem rumo. A moça levantou a cabeça e reconheceu o lugar. Coincidência ou não o marido dela prestava segurança numa empresa naquelas bandas. Resolvemos seguir para lá.
Eu estava mais perdido do que vascaíno em torcida rubro-negra. Qualquer sugestão era muito bem-vinda naquele momento.
Sobreveio outra crise, pior do que as anteriores... Droga, onde era a rua? Cheguei em frente a um galpão, portão grande, aberto. Sabia que era ali, só não me pergunte como. Entrei... Tinha uma viatura da empresa que fazia segurança no prédio.
Saí do carro, um segurança logo apareceu. Após uma explicação meio complicada, trouxeram um camarada com cara de poucos amigos e ar desconfiado. Percebendo de quem se tratava, tirei as compras que não me pertenciam do carro e fui colocando num canto. O segurança pegou a moça nos braços e a colocou na viatura. Ela voltou à consciência neste momento e me viu ali, estático, tentou sorrir e eu entendi que era um agradecimento... Falei que ia ficar bem...
No caminho para casa a minha mente ia processando o que havia acontecido. Pensava e pensava... Obra do acaso ou não, naquele dia, eu tinha sido colocado na posição de anjo na vida daquela mulher... É verdade, um anjo... Aquele tinha sido o meu dia de anjo.
Passado algum tempo, tive vontade de saber dela. Tentei encontrar o número que havia anotado mas não consegui recuperar. Fui ao local onde a deixei e me informaram que a empresa que prestava serviço de segurança havia sido trocada. Não consegui mais saber dela... Nunca a esqueci também...
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janeiro, 2008
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Os jornais estampavam o beicinho do Bush e as imagens do trágico atentado às Torres Gêmeas, recém ocorrido.
Fui ao mercado logo cedo comprar uns refrigerantes e mais umas coisinhas para a festa de aniversário da minha filha. Ainda não sabia, mas, um acontecimento inusitado ia sendo traçado nas malhas do destino. Na fila do caixa, depois de um tempo olhando pro nada, acabei notando uma pessoa, uma mulher, que estava logo na minha frente. Aparentava certo desconforto, dificuldades para respirar. Olhei-a mais detalhadamente e vi que era uma bonita mulher, boa altura, cabelos pretos e a pele branquinha. Vestia calça jeans, blusa vermelha, sandália baixa e tinha uma aliança no dedo da mão esquerda.
Perguntei se ela precisava de alguma coisa, um copo d’água, ou que chamasse alguém. Ela balançou a cabeça, respirou fundo, olhou pra frente. Eu tentei me distrair. Não consegui.
Observei-a passando as compras, pagando e se afastando. Era a minha vez, finalmente!
No caminho para o estacionamento lá estava ela! Apoiava-se numa pilastra e parecia meio alienada. Segurei em seu braço. Ela se apoiou em mim. Sua pele tinha um tom quase transparente.Vendo o desamparo da moça, me ofereci para deixá-la em casa. Ela concordou, falou onde morava e lá fui eu fazer a minha boa ação do dia. Não custava nada ajudá-la, mesmo que não fosse uma bela mulher, eu ajudaria. Acredite!
Partimos, eu a moça e as nossas compras.Trânsito ruim, buzinas e o mal-estar da minha acompanhante preocupava. Pensei no pior: “e se ela morresse no meu carro?” Às vezes não se encontra boa explicação nem mesmo para uma boa ação. Parei, ajustei o banco para deixar a cabeça da moça mais baixa. Não sei se ajudou, mas ela recobrou os sentidos. Perguntei qual era o seu nome e o número do seu telefone para o caso de ter que deixá-la em um hospital, já que os desmaios se sucediam com mais intensidade.
Ao ouvir a palavra “hospital” ela pareceu se apavorar. Segurou no meu braço com a força que lhe restava e me fez jurar que não a levaria para hospital nenhum. Que situação! Tentando escapar do trânsito que não fluía, acabei entrando numa rua que não conhecia bem. Rodei por uns instantes meio sem rumo. A moça levantou a cabeça e reconheceu o lugar. Coincidência ou não o marido dela prestava segurança numa empresa naquelas bandas. Resolvemos seguir para lá.
Eu estava mais perdido do que vascaíno em torcida rubro-negra. Qualquer sugestão era muito bem-vinda naquele momento.
Sobreveio outra crise, pior do que as anteriores... Droga, onde era a rua? Cheguei em frente a um galpão, portão grande, aberto. Sabia que era ali, só não me pergunte como. Entrei... Tinha uma viatura da empresa que fazia segurança no prédio.
Saí do carro, um segurança logo apareceu. Após uma explicação meio complicada, trouxeram um camarada com cara de poucos amigos e ar desconfiado. Percebendo de quem se tratava, tirei as compras que não me pertenciam do carro e fui colocando num canto. O segurança pegou a moça nos braços e a colocou na viatura. Ela voltou à consciência neste momento e me viu ali, estático, tentou sorrir e eu entendi que era um agradecimento... Falei que ia ficar bem...
No caminho para casa a minha mente ia processando o que havia acontecido. Pensava e pensava... Obra do acaso ou não, naquele dia, eu tinha sido colocado na posição de anjo na vida daquela mulher... É verdade, um anjo... Aquele tinha sido o meu dia de anjo.
Passado algum tempo, tive vontade de saber dela. Tentei encontrar o número que havia anotado mas não consegui recuperar. Fui ao local onde a deixei e me informaram que a empresa que prestava serviço de segurança havia sido trocada. Não consegui mais saber dela... Nunca a esqueci também...
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janeiro, 2008
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