
Aconteceu, nos meus onze anos de uma adolescência de menino com muita vontade de comer guloseimas açucaradas.
Mas, não se confunda! Não estou me referido a qualquer guloseima açucarada, não. Tinha que ser exatamente aquele doce e eu tinha um motivo especial por desejá-lo tanto.
Vislumbrei a solução para acalmar a minha salivação quando ganhei uma bolsa de estudos para fazer um curso de inglês. Naquela época não havia um monte de cursos como existem hoje. Fui um privilegiado pelo meu esforço.
Vislumbrei a solução para acalmar a minha salivação quando ganhei uma bolsa de estudos para fazer um curso de inglês. Naquela época não havia um monte de cursos como existem hoje. Fui um privilegiado pelo meu esforço.
Eu morava em Inhaúma e o curso era em Vaz Lobo, ambos subúrbios do Rio. Eram dois ônibus para ir e dois para voltar.
O dinheiro que a minha mãe me dava era contadinho para as passagens e resolvi, um dia, fazer um dos percursos a pé para, com o dinheiro de uma passagem, comprar o tão desejado doce.
Dormi pensando naquele coração que eu queria morder de tanta alegria e, só de imaginar, já podia sentir o sabor. O cheiro era inconfundível.
Na manhã seguinte, acordei mais cedo, na verdade eu nem consegui dormir naquela noite e também não consegui tomar o café da manhã. Só pensava naquele doce coração, digo, coração de doce de batata doce.
Andei, andei e andei mais um pouco e consegui chegar em Vaz Lobo economizando o dinheiro para o meu desejo de consumo.
Fui lá todo feliz (sabe como são meninos felizes, não sabe?). Saí da loja agarrado com o meu coração que eu pretendia comer bem aos pedacinhos. Eu disse isso mesmo, pretendia, porque não estava tão agarrado assim, o doce caiu inteirinho da minha mão e foi direto para uma poça de água e lama! Eu ainda fiquei alguns segundos olhando para ele, sem acreditar no que tinha acontecido.
Naquele momento eu fiz uma promessa para mim mesmo: quando crescesse e começasse a trabalhar, eu ia lá naquela loja e compraria não só um, mas vários doces e comeria todos eles, até não poder mais...
Assim fiz, quando chegou a hora.
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outubro, 2008
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