segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Maldito OCR!



Demitido, e, pior, demitido pelo maldito OCR!
Maldito OCR que me colocou no olho da rua!
Bem que eu devia ter dado mais importância quando começaram os papos de demissão na Revista. Com a facilidade da internet muitos colaboradores passaram a enviar os seus trabalhos via e-mail e isso fez com que a digitação se baseasse apenas nas matérias extraídas de livros antigos.
Foi quando surgiu o famigerado OCR. Inicialmente parecia que não ia emplacar. Os resultados não eram satisfatórios e a equipe de revisores dizia que o OCR errava mais do que os digitadores. E nós, digitadores, nos divertíamos com isso... Mas, outros OCRs surgiram e a cada versão, melhor se tornava e menos erros ocorriam. No dia da minha demissão eu senti algo pesado no ar... Meus colegas de trabalho mais próximos estavam monossilábicos, não me encaravam... Quando fui chamado ao RH pelo serviço de som da empresa, olhei em volta e o pessoal estava com a cara enterrada nos seus computadores.
DEMISSÃO!
Doze digitadores, eu inclusive, no olho da rua. A justificativa: corte de custos. Eu sabia, entretanto, que o culpado tinha sido o maldito OCR.
Lembro quando saí da Revista, desempregado, desorientado e a Paulinha da recepção com cara de “não sei de nada” veio com aquelas frases prontas que não enganam ninguém: “você é bom no que faz, rapidinho vai estar empregado”. E outra pérola: “depois deixa um curriculum que vou enviar para uns amigos”. Segui pensando o que fazer com a minha habilidade e destreza em digitar 350 caracteres por minuto... Pensando... No Carlitos e em seu "Tempos modernos"...
E como o OCR não me saiu da cabeça, resolvi saber direitinho como essa engenhoca funciona. Primeiramente OCR significa optical character recognition (reconhecedor ótico de caracteres) e, por meio dessa tecnologia é possível digitalizar um texto impresso e obter um arquivo editável. Atualmente, a grande maioria dos scanners acompanha pelo menos um programa de OCR, que pode ser usado para substituir digitadores cheios de mania e que consomem grandes quantidades de café durante o dia e têm o costume, entre outros, de fazer resenha esportiva antes, durante e após o expediente.
Assim, desempregado, os dias se sucederam, e meses...
Saía cedo com vários curriculuns na pasta e voltava já à tardinha... desolado! Nada!
Então a minha ficha caiu pra valer. Percebi que além de desempregado eu era um desempregado despreparado. Não tinha feito nenhum curso de reciclagem, um treinamento sequer durante o período que trabalhei na Revista. Estava completamente desatualizado...
Parti, então, para o corpo-a-corpo nessa nova etapa da minha vida. Tinha que me preparar para conseguir emprego e parar de ir em entrevistas só por ir.
Atualmente presto serviços de manutenção em máquina copiadora e, pasmem, conserto até scanners providos de OCR!
E, para não dizer que sou de guardar mágoas, hoje, ao perceber a dificuldade de uma jovem, ensinei-a a escanear e a editar um texto usando nada mais, nada menos do que o maldito OCR.
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junho, 2008
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